Aliados e ministros do STF veem transferência de Bolsonaro como sinal para possível prisão domiciliar

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-chefe do Executivo para um novo local de custódia pode representar o primeiro passo rumo a uma eventual concessão de prisão domiciliar. A leitura, compartilhada por bolsonaristas e por ministros da Corte, é de que a medida sinaliza uma possível flexibilização do regime no curto prazo.

Dois ministros do STF, de grupos distintos, consideraram a transferência um gesto nessa direção. Para eles, a chamada “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, oferece condições significativamente superiores às da Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro estava preso desde novembro. Nesse contexto, a mudança para o regime domiciliar é vista como um desdobramento plausível.

Apesar da interpretação nos bastidores, Moraes não indicou formalmente qualquer intenção de conceder o benefício. Na decisão, o ministro ressaltou que o cumprimento da pena não se trata de uma “estadia hoteleira” e rebateu críticas feitas por familiares do ex-presidente sobre as condições da custódia anterior.

Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e teve a prisão domiciliar revogada em novembro, após, segundo o STF, tentar violar a tornozeleira eletrônica. Desde então, a defesa apresentou novos pedidos, alegando riscos à saúde. Agora, Moraes determinou a realização de perícia por junta médica oficial, cujo laudo deve embasar a próxima decisão sobre a permanência do ex-presidente na Papudinha ou uma eventual mudança de regime.