Mensagens obtidas pelo UOL apontam repasses de ao menos R$ 4,3 milhões, recrutamento de mulheres estrangeiras e possível exploração sexual
Mensagens e relatórios obtidos pelo UOL indicam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria financiado uma rede internacional de prostituição voltada a festas e encontros privados. A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito específico para apurar possíveis crimes relacionados ao caso.
Segundo a reportagem, os repasses chegaram a pelo menos R$ 4,3 milhões e teriam sido destinados à contratação de mulheres, à organização de viagens e à manutenção de uma agência de modelos utilizada para recrutamento.
As conversas recuperadas pela PF em dispositivos de Vorcaro apontam a participação de intermediários e descrevem a organização de eventos no Brasil e no exterior.
Como a rede teria funcionado?
De acordo com a apuração do UOL, os diálogos envolvem Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo. Segundo as mensagens, Batista recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro.
As conversas indicam que os envolvidos discutiam a seleção e a contratação de mulheres, além de passagens, hospedagens e pagamentos para festas privadas. Em alguns diálogos, Vorcaro e Batista utilizavam termos depreciativos para se referir às mulheres.
A reportagem também aponta negociações envolvendo a agência Allure Eventos, incluindo documentos relacionados à compra de uma participação no negócio. Outra conversa menciona uma possível aquisição da Ford Models por cerca de US$ 6,7 milhões.
Mulheres estrangeiras e caso de jovem ucraniana
Segundo o UOL, mulheres brasileiras e estrangeiras eram levadas a eventos e encontros com Vorcaro, amigos e convidados em diferentes países.
Entre as situações analisadas está o caso de uma jovem ucraniana de 19 anos. As mensagens indicam que ela permaneceu no Brasil durante o período em que os envolvidos discutiam a possibilidade de incluí-la na agência.
Em um dos diálogos, o promotor menciona a situação da jovem e relata que ela não teria para onde ir diante dos bombardeios na Ucrânia. As conversas também indicam discussões sobre sua permanência no país e sua participação em eventos.
O material está entre os elementos que podem ajudar a Polícia Federal a esclarecer as condições de recrutamento e a eventual existência de exploração.
O que a Polícia Federal investiga?
A PF abriu um inquérito específico para apurar possíveis crimes de cafetinagem, exploração sexual e tráfico internacional de pessoas.
As suspeitas envolvem o financiamento da estrutura, a atuação de intermediários e o recrutamento de mulheres para eventos privados. A investigação deverá esclarecer a participação de cada pessoa citada e verificar se as condutas descritas nas mensagens configuram crimes.
A existência de conversas ou de movimentações financeiras, isoladamente, não determina a responsabilidade criminal dos envolvidos. As conclusões dependem da análise das provas e do andamento da investigação.
Procurada pelo UOL, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não vai se manifestar sobre o assunto.
VoxPB