A possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem alterado o cenário político em Brasília e enfraquecido a articulação para a criação de uma CPI voltada ao caso do Banco Master. A avaliação predominante entre lideranças do Congresso é de que as investigações devem ganhar novos rumos a partir das informações que serão fornecidas diretamente às autoridades, tornando secundária uma apuração parlamentar.
Nos bastidores, tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quanto o da Câmara, Hugo Motta, compartilham o entendimento de que uma comissão neste momento teria mais impacto político do que efetivo avanço nas investigações, especialmente em um contexto eleitoral.
Mesmo assim, parlamentares da oposição indicam que devem manter a pressão pela instalação da CPI, buscando ampliar o debate público sobre o caso.
Na última quinta-feira (19), Vorcaro foi transferido para a sede da Polícia Federal, dando início formal às tratativas para a delação. O empresário já firmou um acordo de confidencialidade e deve colaborar com a apuração conduzida pela PF e pela Procuradoria-Geral da República.
A expectativa é de que os depoimentos tragam novos elementos à Operação Compliance Zero, incluindo possíveis desdobramentos sobre um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes políticos.
Agência Brasil