A diferença entre o valor do diesel vendido no Brasil e o praticado no exterior voltou a chamar atenção do mercado e já pressiona importadores de combustíveis no país.
Levantamento da Abicom, em parceria com a StoneX, aponta que o diesel nas refinarias brasileiras está cerca de 74% mais barato do que no mercado internacional, o que representa uma defasagem de R$ 2,68 por litro — valor próximo de R$ 3.
Apesar de, num primeiro momento, a diferença favorecer o consumidor com preços mais baixos, o cenário acende um alerta para o setor. Segundo especialistas, a prática reduz a atratividade para importações e pode gerar prejuízos para empresas que atuam na produção e refino de combustíveis.
A preocupação maior é com o abastecimento. Como o Brasil depende de diesel importado para atender à demanda interna, a falta de competitividade nos preços pode desestimular novas compras no exterior. “Com a defasagem elevada, as operações de importação deixam de acontecer, aumentando o risco de desabastecimento”, afirmou o presidente-executivo da Abicom, Sergio Araujo.
Para março, a entidade garante que o fornecimento está assegurado devido às compras já realizadas. No entanto, há incertezas para os próximos meses, especialmente abril, que ainda não tem previsão robusta de importações.
O cenário internacional também pesa. A guerra no Oriente Médio tem impulsionado os preços do petróleo, aumentando a instabilidade global. A região concentra grande parte da produção mundial, e o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do comércio global da commodity — segue no centro das tensões.
Enquanto isso, a Petrobras mantém uma política de preços desvinculada do mercado internacional, evitando repassar oscilações externas ao consumidor. A estratégia, no entanto, é alvo de críticas por impactar a competitividade e afastar importadores.
No curto prazo, não há expectativa de reajuste no preço do diesel por parte da estatal, segundo fontes do setor. A Abicom afirma que continuará acompanhando o cenário de perto diante dos riscos para o abastecimento nacional.
Com informações da CNN Brasil