Campina Grande vive um contraste entre festa e crise na saúde pública. Enquanto a cidade se prepara para anunciar a programação oficial do São João 2025, mais um caso trágico foi registrado no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea). No último fim de semana, o bebê Ravi Emane faleceu após o parto, e a família acusa erro médico. Este é o segundo caso de morte neonatal na unidade em menos de um mês.
A mãe, Francikelly, relata que implorou por uma cesárea, mas só foi levada ao procedimento em estado crítico. “Eu implorei porque não ia aguentar ter normal”, disse. Após a cirurgia, o bebê nasceu, mas não chorou. “Eu não escutei ele chorando, pra onde eles iam com o meu filho?”, desabafou. A equipe médica informou que o recém-nascido havia ingerido líquido amniótico e foi transferido para o Hospital da Clípes. No entanto, a mãe só descobriu a real gravidade da situação dois dias depois, ao receber alta. “Eu sentia que ele já estava morto”, contou.
A família registrou um boletim de ocorrência, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde informou que investiga o caso. Segundo a pasta, a mãe apresentava histórico de tabagismo, fator que poderia ter influenciado o desfecho do parto.
Mesmo diante da crise, a Prefeitura mantém a divulgação do Maior São João do Mundo nesta segunda-feira (31). O evento ocorrerá entre 30 de maio e 6 de julho, cinco dias a mais que no ano anterior. O prefeito Bruno Cunha Lima já confirmou a participação de Elba Ramalho na noite de São João. Além da programação musical, será apresentado o novo layout do Parque do Povo, que passou por ampliações.
A edição de 2024 reuniu 2,93 milhões de pessoas, e a expectativa para 2025 é de um público ainda maior. Entretanto, as recentes mortes no Isea levantam questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal.
Enquanto milhões são investidos na festa, a população questiona: Quantas mães ainda sofrerão perdendo seus filhos antes que a saúde pública receba a mesma atenção?
Fonte: VoxPB | Fonte83