Pequenos negócios enfrentam dificuldade para acessar moeda estrangeira e recorrem a alternativas como mercado paralelo e criptomoedas
A falta de dólares na Venezuela tem impactado diretamente a rotina de pequenas e médias empresas, que enfrentam dificuldades para importar insumos e manter a produção. O cenário tem levado empresários a reajustar preços e buscar alternativas fora do sistema oficial, como o mercado paralelo e o uso de criptomoedas.
No centro do país, donos de indústrias relatam obstáculos frequentes para conseguir moeda estrangeira por meio dos leilões oficiais. O modelo de distribuição, segundo empresários, favorece grandes companhias, enquanto negócios de menor porte ficam sem acesso ou têm pedidos negados sem explicação.
Sem previsibilidade cambial, os custos de reposição de estoque se tornam incertos. Ao mesmo tempo, a desvalorização do bolívar segue pressionando as finanças, o que dificulta o planejamento e obriga empresas a repassar os aumentos ao consumidor.
Diante das restrições, muitos recorrem ao mercado paralelo, onde a cotação é mais elevada. Essa alternativa, embora permita a continuidade das operações, acaba contribuindo para o aumento dos preços e para a inflação, que permanece em níveis elevados no país.
Levantamento recente da Conindustria aponta que mais da metade das empresas de médio porte considera a falta de moeda estrangeira um dos principais entraves à produção. Analistas também alertam que a oferta de dólares no início de 2026 é menor do que no mesmo período do ano anterior, o que agrava o cenário.
As sanções internacionais seguem sendo um fator relevante, já que limitam o acesso do sistema bancário venezuelano ao mercado financeiro global. Com isso, operações internacionais se tornam mais complexas e dependem de mecanismos alternativos.
Nesse contexto, as criptomoedas voltam a ganhar espaço como solução emergencial para viabilizar importações e pagamentos externos. Ainda assim, empresários avaliam o recurso como instável e defendem maior oferta de moeda estrangeira para garantir a continuidade da atividade econômica.
A restrição no acesso a dólares, segundo representantes do setor produtivo, pode comprometer a recuperação econômica do país, já que pequenas e médias empresas desempenham papel fundamental no fornecimento de insumos e serviços.
Com informações da Reuters