A projeção de aumento na produção de etanol na safra 2026/2027 deve reforçar o papel do biocombustível como alternativa à gasolina no Brasil. A entrada de cerca de 4 bilhões de litros adicionais amplia a oferta interna em meio à pressão dos preços do petróleo no mercado internacional.
Com a predominância dos veículos flex — mais de 80% dos carros novos —, o consumidor pode escolher o combustível mais vantajoso. Quando o etanol custa até cerca de 70% do valor da gasolina, ele se torna competitivo e passa a ganhar espaço no abastecimento.
Esse aumento na oferta tende a reduzir a dependência de gasolina e suavizar os impactos de oscilações externas, como a alta do barril de petróleo. A política energética também reforça esse movimento, com a mistura obrigatória de etanol na gasolina já em 30% e possibilidade de avanço nos próximos anos.
Hoje, o etanol já representa uma parcela relevante do consumo de combustíveis no país, funcionando como um amortecedor natural contra variações internacionais. Como a gasolina influencia diretamente a inflação, o avanço do biocombustível ajuda a diminuir a pressão sobre preços de transporte, alimentos e serviços.
Apesar disso, o efeito tem limites e depende de fatores como clima, custos de produção e mercado do açúcar. Ainda assim, o crescimento do etanol fortalece a capacidade do Brasil de reagir a choques externos e reduzir impactos no bolso do consumidor.