A ex-secretária Aline Barbara Mota de Sá Cabral afirmou, nesta segunda-feira (2), em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que tinha acesso ao cofre da empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo ela, parte do dinheiro guardado era entregue ao motorista para o pagamento de insumos, sempre sob orientação direta do chefe. Aline disse, no entanto, que não sabia informar quanto era mantido no cofre nem de onde vinham os recursos.
A ex-secretária declarou ainda que não tinha acesso às contas bancárias da empresa e que não realizava pagamentos formais. Também negou envolvimento em decisões estratégicas sobre a destinação de valores e afirmou desconhecer qualquer esquema de enriquecimento ilícito.
Antunes é investigado por suspeita de articular fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Durante o depoimento, Aline confirmou que o empresário possuía veículos de luxo, como modelos da Porsche e da Mercedes, mas negou ter feito anotações que relacionassem porcentagens a agentes públicos.
Ela também rejeitou qualquer participação em repasses ou compra de passagens para Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha.
No início da oitiva, Aline obteve no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça que lhe garantiu o direito ao silêncio. Mesmo com a decisão optou por responder parte dos questionamentos feitos pelos parlamentares.
A CPMI ainda deve ouvir o advogado Cecílio Galvão que foi convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos milionários com associações investigadas por possíveis desvios de benefícios. O depoimento está previsto para quinta-feira (5).