Presidente critica postura dos EUA no conflito com o Irã, chama ameaças de “inconsequentes” e sai em defesa do pontífice após embate com Washington.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (14), que considera “inconsequente” a atuação dos Estados Unidos no contexto do conflito com o Irã e criticou o que chamou de postura de ameaça adotada pelo presidente Donald Trump no cenário internacional.
Em entrevista a veículos de imprensa, Lula avaliou que há uma tentativa de construção de narrativa política por parte do líder norte-americano e destacou que a influência dos Estados Unidos como potência mundial não está ligada a discursos de enfrentamento, mas a fatores econômicos e estruturais do país.
O presidente brasileiro também afirmou que esse tipo de posicionamento não contribui para a estabilidade democrática e alertou para os impactos econômicos de conflitos internacionais, especialmente sobre o preço dos combustíveis.
Lula ainda comentou a recente troca de críticas entre Trump e o papa Leão XIV. O pontífice questionou ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, o que gerou reação do presidente americano.
Ao tratar do tema, Lula manifestou solidariedade ao papa e disse ter se reunido recentemente com ele, destacando uma impressão positiva do encontro. Segundo o presidente, o líder religioso estaria correto em suas observações e não deveria ser alvo de intimidações.
Caso Ramagem
Durante a entrevista, Lula também abordou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, afirmando que o ex-diretor da Abin deverá ser enviado ao Brasil para cumprir pena.
Ramagem foi detido por autoridades migratórias norte-americanas em cooperação com a Polícia Federal. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra a democracia.
Segundo a PF, a ação integra um acordo de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos.
Com Agência Brasil
Imagem: Ricardo Stuckert / PR