Moraes e Gilmar tomam decisões vistas como quatro acenos ao bolsonarismo após 1º turno

Medidas envolvendo Débora do Batom, Flávio Bolsonaro e arquivamentos são interpretadas nos bastidores como sinais de distensão após resultado das urnas

Uma sequência de decisões tomadas ou divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas 48 horas posteriores ao primeiro turno passou a ser interpretada, em análise da CNN Brasil, como uma série de acenos ao bolsonarismo em um momento de aumento da tensão entre a Corte e a nova composição do Congresso.

Os movimentos envolvem principalmente os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e atingem casos de forte interesse político para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Débora do Batom vai para o semiaberto

O primeiro movimento foi a progressão de pena de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, para o regime semiaberto.

Condenada por participação nos atos de 8 de Janeiro, Débora ficou conhecida por escrever com batom vermelho a frase “perdeu, mané” na escultura A Justiça, em frente ao STF.

Moraes reconheceu que ela havia cumprido os requisitos legais para a progressão, levando em consideração também atividades realizadas durante o cumprimento da pena.

A decisão tem fundamento na execução penal, mas foi interpretada politicamente por interlocutores do bolsonarismo como um gesto de distensão.

Pedido para Flávio visitar Bolsonaro avança

O segundo movimento envolve Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A defesa apresentou novo pedido para que Flávio possa visitar o pai antes do fim da restrição determinada por Moraes. Em vez de rejeitar imediatamente a solicitação, o ministro a encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.

A medida ainda não representa autorização para a visita, mas foi interpretada nos bastidores como uma mudança de postura em relação ao pedido.

Moraes arquiva investigação contra Marcos do Val e blogueiros

Outro movimento tornado público nesta terça-feira (6) foi o arquivamento de uma investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Ednardo Raposo.

A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeitas de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime.

Moraes acolheu parecer da PGR, que concluiu que as provas reunidas não eram suficientes para sustentar uma denúncia.

A decisão de arquivamento, porém, havia sido assinada em 4 de setembro, antes do primeiro turno, apesar de ter se tornado pública somente depois da eleição.

Gilmar arquiva investigação contra Alfredo Gaspar

O quarto episódio envolve Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.

O ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de uma investigação por suspeita de estupro após atender a um pedido da PGR.

A Procuradoria apontou falta de provas e contradições nos depoimentos. Gaspar negou a acusação desde o início e chegou a solicitar que as apurações avançassem para, segundo sua defesa, demonstrar que não havia cometido o crime.

Relação entre STF e bolsonarismo entra em nova fase

As movimentações acontecem depois do avanço eleitoral de partidos de direita, sobretudo no Senado Federal.

Segundo apuração da CNN Brasil, uma ala do STF passou a defender maior diálogo institucional diante da nova correlação de forças no Congresso e da possibilidade de avanço de pedidos de impeachment contra ministros a partir de 2027.

O PL, entretanto, rejeita a ideia de um “acordão” e mantém críticas especialmente a Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além de discutir iniciativas de responsabilização no Senado.

A interpretação de que as quatro decisões representam “acenos” ao bolsonarismo é uma análise política de bastidores, e não uma posição oficialmente declarada pelos ministros envolvidos.

VoxPB