PCC proíbe delivery de dr*gas após briga interna em favela de SP

A criação de um sistema de delivery de dr0gas em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, passou a provocar tensão dentro do próprio Primeiro Comando da Capital (PCC). A modalidade, pensada para facilitar o acesso de usuários e ampliar as vendas, acabou gerando insatisfação entre integrantes da facção que controlam as chamadas “biqueiras”, pontos fixos de comercialização de entorpecentes.

De acordo com mensagens obtidas pela Polícia Civil durante as investigações, membros do grupo criminoso reclamam que o novo formato estaria prejudicando quem “lutou” para conquistar e manter os pontos tradicionais de venda na comunidade.

O caso chamou a atenção dos investigadores pela contradição: criminosos passaram a denunciar supostas “irregularidades” dentro de um esquema que já é considerado ilegal. As conversas fazem parte do mesmo inquérito que apura a atuação de um núcleo ligado a Michael da Silva, conhecido como “Neymar”.

O processo também cita Everton de Brito Nemésio, o “Delinho”, apontado pela polícia como integrante do alto escalão do PCC. Ele é considerado foragido da Justiça e aparece em um organograma recente da facção elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol).

Segundo os investigadores, a menção a Delinho reforça a ligação entre a liderança da organização criminosa e a estrutura local onde Neymar atuava. O suspeito permanecia preso preventivamente na última atualização do processo. A defesa não foi localizada pela reportagem, e o espaço segue aberto para manifestação.

O comunicado interno da facção, datado de julho de 2024 e anexado ao inquérito, circulou entre integrantes do grupo e evidenciou o descontentamento com o novo modelo de venda de drogas na comunidade.