Setor privado deve chegar a 44% das concessões este ano

O setor de saneamento, que teve 17 leilões em 795 cidades do país no ano passado, somando R$ 92,4 bilhões em investimentos contratados, viu o número de empresas privadas chegar a 30% do total nas concessões, segundo a Associação Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon). Para este ano, a expectativa é que o percentual chegue a 44%.

Em Sergipe, a Iguá saiu vencedora após disputa com as principais operadoras, como BRK e Aegea, além do Pátria. No Paraná, o leilão da Sanepar contou com três Parcerias Público-Privadas (PPPs), vencidas pelo Saneamento Consultoria (formado por Aegea, Perfin e Kinea), Acciona Água Brasil e Iguá. No Piauí, a vencedora foi a Aegea. Além desses, houve a desestatização da Sabesp, que contou com a entrada da Equatorial Energia.

— O fato de novas empresas entrarem no setor é muito positivo, pois traz mais concorrência e cada uma introduz novas práticas. Isso é fundamental, já que permite maior eficiência na prestação dos serviços com novos investimentos — diz Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

Para Daniel Engel, sócio da área de Infraestrutura & Projetos do Veirano Advogados, a expectativa é que 2025 tenha mais empresas privadas entrando no segmento:

— O portfólio de projetos no Brasil é único no mundo. A demanda esperada de investimentos é enorme, e o marco regulatório vem avançando de forma bastante consistente, contribuindo para a redução do risco político e regulatório. O que vai decidir é o perfil e o apetite dos investidores para admitir ou ampliar sua exposição de longo prazo a esse mercado no Brasil.

Oportunidades no setor

Luiz Gronau, sócio-diretor da A&M Infra, lembra que o ano passado foi marcado por surpresas, como a participação de um fundo de investimento no leilão de Sergipe:

— Em 2025, teremos ativos com investimentos bastante relevantes, mas com certa complexidade nas características locais. Por isso, poderemos ter algumas novidades, mas com a predominância das empresas tradicionais, já acostumadas com o nível de complexidade que enfrentaremos.

Marcelo Figueiredo, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, destaca que o mercado ainda depende da formação de consórcios e de forte injeção de capital privado.

— Os leilões podem ser competitivos, mas não são esperados grandes volumes ou ágios espetaculares, pois o cenário econômico ainda é instável no Brasil, com alta taxa de juros e crise de credibilidade governamental, que não reduz gastos necessários. Não acredito que novas empresas entrem, além das que já se apresentaram em 2024 no Brasil, exceto as resultantes de novos consórcios, ainda majoritariamente nacionais.

André de Angelo, diretor País da Acciona Brasil, diz que a companhia prevê investir mais de R$ 2 bilhões ao longo dos 24 anos em 48 municípios no oeste do Paraná.

— No Brasil, identificamos na PPP da Sanepar uma oportunidade estratégica para iniciar nossa atuação nesse segmento no país, que apresenta déficit significativo de infraestrutura. A clareza e a previsibilidade dos projetos de concessão e PPPs tornam o Brasil um mercado atrativo para investimentos de longo prazo.

Rogério Tavares, vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea, lembra que a companhia atua em 760 cidades, com populações que variam de 1,8 mil a 6,8 milhões de habitantes:

— Temos priorizado a análise minuciosa de diversos cenários econômicos. Assim, é possível realizar avanços nas operações com sustentabilidade financeira, mesmo em diferentes cenários, alongando o perfil da dívida e diversificando as fontes de financiamento. Com isso, a empresa se protege dos aumentos de risco sem se desviar dos compromissos de investimentos.

Roberto Barbuti, CEO da Iguá Saneamento, diz que a concessão de Sergipe é um marco, pois vai abranger 74 dos 75 municípios do estado, com previsão de R$ 6 bilhões em investimentos. Conforme prevê o contrato, a companhia deverá desenvolver, até 18 meses após assumir o serviço, um plano diretor para cada município.

— Para viabilizar esse plano de crescimento, fortalecemos nossa estrutura financeira com um aporte de R$ 1,7 bilhão do Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) e do BNDES, além da captação de R$ 1,85 bilhão via emissão de debêntures para o pagamento da primeira parcela da outorga.

Fonte: Paraíba Business