A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal expôs uma forte articulação nos bastidores do Senado e colocou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, no centro das atenções políticas.
Senadores da oposição atribuem a ele um papel decisivo no resultado. Segundo relatos, o grupo contrário à indicação contava inicialmente com cerca de 30 votos, mas a movimentação ao longo do dia, com conversas diretas com parlamentares e atuação sobre indecisos, teria sido fundamental para ampliar o placar até os 42 votos contrários.
Nos bastidores, a atuação de Alcolumbre foi considerada estratégica nas horas que antecederam a votação, quando ainda havia expectativa de que o governo conseguisse reverter o cenário. A avaliação entre oposicionistas é de que a articulação consolidou a derrota e esvaziou qualquer reação de última hora.
O resultado final surpreendeu aliados do governo. Messias recebeu 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação. A diferença contrariou projeções otimistas feitas nos dias anteriores, quando governistas falavam em um cenário mais confortável.
Antes da votação, o senador Camilo Santana chegou a sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o adiamento da análise, ao avaliar que não havia margem segura para aprovação. A recomendação, no entanto, não foi seguida.
A rejeição encerra um longo período sem derrotas desse tipo no Senado. A última vez que um indicado ao STF foi barrado ocorreu ainda no século XIX, tornando o episódio um marco político relevante para o governo e para a relação com o Congresso.
Nos bastidores, também há a leitura de que novas indicações ao Supremo podem enfrentar resistência semelhante. Interlocutores afirmam que Alcolumbre tem sinalizado cautela e não vê sentido em levar um novo nome à votação às vésperas do período eleitoral.
Com informações da CNN Brasil
Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado