Endividamento cresceu mais de R$ 100 bilhões entre junho e julho e acumula avanço superior a 11 pontos percentuais desde o início de 2023
A dívida bruta do setor público brasileiro atingiu R$ 10,9 trilhões, o equivalente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual é o maior registrado no país desde abril de 2021, período em que os gastos públicos haviam aumentado significativamente durante o enfrentamento da pandemia de Covid-19.
Entre junho e julho, o endividamento do setor público — que considera governo federal, Previdência, estados e municípios — cresceu mais de R$ 100 bilhões.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país e é utilizado como uma das principais referências para avaliar o tamanho da dívida em relação à economia.
Trajetória de alta desde 2023
A relação entre dívida e PIB vem aumentando desde o início de 2023. Nesse intervalo, o indicador avançou mais de 11 pontos percentuais.
O crescimento da dívida ocorre quando as receitas arrecadadas pelo poder público não são suficientes para bancar todas as despesas. Nessa situação, o governo precisa captar novos recursos para financiar suas obrigações, ampliando o estoque da dívida.
Quanto maior o endividamento e a percepção de risco fiscal, maior tende a ser também a pressão sobre o custo desses empréstimos.
Reflexos nos juros e no crescimento
Uma trajetória persistente de aumento da dívida pode gerar insegurança entre investidores e agentes econômicos.
Esse cenário também dificulta o trabalho do Banco Central na redução da taxa básica de juros, já que uma política fiscal mais pressionada pode alimentar expectativas de inflação.
Juros elevados, por sua vez, tornam o crédito mais caro, reduzem investimentos e podem limitar o crescimento da economia.
O avanço da dívida pública, portanto, passa a ser um dos principais pontos de atenção para a política econômica brasileira.