Dólar dispara e supera R$ 5,60 após reeleição de Lula contrariar o mercado

O mercado financeiro reagiu com forte aversão ao risco nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em disputa de segundo turno. O dólar à vista operou em expressiva disparada frente ao real.

No meio da manhã, às 10h18, a cotação comercial da moeda norte-americana registrava um salto de 12,20%, alcançando R$ 5,604 na venda. O reflexo também foi sentido na bolsa brasileira (B3), onde o contrato de dólar futuro para novembro — o de maior liquidez no país — disparou 12,58%, cotado a R$ 5,600.

Por que o dólar subiu tanto?

O movimento de alta reflete uma reprecificação imediata por parte dos investidores, que, em sua maioria, precificavam uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, o desfecho eleitoral provocou uma mudança brusca na percepção de risco do mercado brasileiro.

O analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, explica que os preços dos ativos vinham embutindo a expectativa de uma política fiscal pautada por maior rigor. Com o resultado das urnas, essa perspectiva passa por revisão, especialmente diante de um cenário em que o presidente reeleito não possui maioria garantida no Congresso Nacional.

Quais são os receios do mercado?

A falta de base aliada consolidada e as incertezas sobre o controle das contas públicas compõem o principal foco de tensão dos agentes financeiros. Há o temor de que a dívida pública continue em trajetória de crescimento sem que medidas suficientes de estabilização sejam adotadas pelo governo.

“A expectativa é de uma semana de maior cautela, com o Ibovespa pressionado, dólar em alta e juros futuros subindo”, avaliou Sidney Lima.

VoxPB