A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, com o fim da escala 6×1, tem gerado um forte debate entre economistas. Enquanto entidades empresariais apontam riscos para a economia, estudos acadêmicos indicam impactos mais limitados e até possíveis benefícios.
De um lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta queda de 0,7% no PIB, o equivalente a cerca de R$ 76 bilhões, além de perda de competitividade. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima aumento de até 21% nos custos da folha, com possível repasse aos preços.
Por outro lado, estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam um cenário diferente. As análises indicam aumento médio de até 7,8% no custo do trabalho, com impacto total menor nas empresas e possibilidade de geração de empregos.
A divergência ocorre principalmente pelas premissas adotadas. Enquanto parte dos estudos considera que menos horas trabalhadas reduzem a produção, outros defendem que o mercado tende a se ajustar, com contratações e mudanças na dinâmica econômica.
No caso da inflação, representantes da indústria avaliam que o aumento de custos será repassado ao consumidor. Já técnicos do Ipea afirmam que o impacto tende a ser limitado, podendo ser absorvido pelas empresas.
O tema segue em debate no Congresso e envolve não apenas cálculos econômicos, mas também diferentes visões sobre trabalho, produtividade e crescimento.
Com informações da CNN Brasil
Imagem: Washington Costa/Ministério da Fazenda