Presidente não menciona relator das investigações no STF e cobra condução com “firmeza e transparência”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) assumam a liderança institucional das apurações envolvendo o Banco Master.
A manifestação ganhou peso político porque André Mendonça é o relator do caso no STF e não foi citado pelo presidente ao falar sobre quem deveria conduzir o episódio.
Na prática, a escolha de Lula por mencionar Fachin e a PGR — e não o relator — abre espaço para uma leitura de esvaziamento político e institucional de Mendonça em meio à crise instalada na Corte.
“O povo brasileiro espera”
Em sua declaração, Lula afirmou:
“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.”
O presidente também classificou o escândalo envolvendo o Banco Master como “o maior roubo da história do Brasil” e afirmou que existem suspeitas envolvendo políticos e agentes públicos.
Lula ainda ressaltou que o caso não pode ser conduzido a partir de disputas internas ou da exposição seletiva de informações.
“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos.”
Investigação “sem blindagem”
Outro trecho de destaque foi a defesa de uma apuração ampla, independentemente de quem venha a ser atingido.
“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém.”
Lula afirmou ainda que agentes públicos devem colocar o compromisso institucional acima de interesses individuais e declarou que o sistema político e Judiciário brasileiro precisa passar por “reformas profundas”.
Fala ocorre em meio à crise no STF
A declaração acontece em um momento de forte tensão dentro do Supremo, provocado pela divulgação de novos elementos das investigações do Banco Master e pelas divergências sobre o papel de André Mendonça na condução do caso.
Mendonça tem defendido que os novos fatos sejam analisados pelo plenário da Corte. Ao pedir que Fachin e a PGR assumam a liderança institucional, Lula estabelece uma posição própria sobre como o episódio deve ser conduzido.
Isso não significa, juridicamente, que Mendonça tenha perdido a relatoria. Mas politicamente, a fala do presidente reduz o protagonismo do ministro ao apontar outras autoridades como responsáveis pela condução central da crise.