O advogado Nelson Wilians compareceu espontaneamente, nesta terça-feira (18), ao Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP) para apresentar esclarecimentos sobre a investigação que apura um suposto esquema de fraude tributária estimado em R$ 3,8 bilhões.
A reunião aconteceu na sede da Secretaria da Fazenda de São Paulo e reuniu integrantes do Ministério Público paulista, da Procuradoria-Geral do Estado e auditores da Receita Estadual.
Segundo a defesa, Wilians procurou o órgão por iniciativa própria e apresentou sua versão sobre os fatos. O advogado também informou que pretende entregar documentos para sustentar a alegação de que não participou de atividades ilícitas.
O nome de Wilians entrou no centro da apuração após a Operação Distrato, deflagrada em julho. A investigação mira a utilização de créditos de ICMS considerados irregulares para reduzir valores devidos por empresas ao Estado.
De acordo com os investigadores, os créditos eram apresentados a empresários como legítimos e supostamente autorizados pela Secretaria da Fazenda. A apuração sustenta, porém, que essa autorização não existia.
O levantamento aponta irregularidades envolvendo 752 empresas e um montante superior a R$ 3,8 bilhões. Parte dos créditos, segundo a investigação, estaria relacionada a empresas sem capacidade operacional, massas falidas ou operações consideradas fictícias.
A nova manifestação de Wilians ocorre poucos dias depois de outro episódio envolvendo seu nome. Em 13 de agosto, ele também foi alvo de busca na Operação Arena, da Polícia Federal, que investiga movimentações financeiras relacionadas a um grupo empresarial do setor de apostas.
Após essa operação, Wilians anunciou o afastamento por tempo indeterminado do comando do escritório NWADV.
As apurações continuam em andamento. O fato de Nelson Wilians ter sido alvo de operações ou citado em investigações não representa condenação, e sua defesa afirma que apresentará elementos para afastar qualquer envolvimento com irregularidades.